Escrito por:
Russeff Advogados
07/09/2025

Após a separação, quem paga as despesas com o pet?


Você terminou um relacionamento e ficou com o pet que vocês criaram juntos. Os dias passaram, as contas aumentaram, e o carinho continua… mas a dúvida começa a crescer:

  • “Será que ele também não deveria ajudar a cuidar do nosso bichinho?”
  • “Posso pedir que ele divida as despesas comigo?”
  • “E se ele não quiser nem saber do animal?”

Se você está passando por isso, saiba que não está sozinha. Essa é uma realidade vivida por muitas mulheres após a separação.

Neste artigo, vamos te ajudar a entender seus direitos, como funciona a divisão de despesas com o pet e o que a Justiça tem decidido sobre esse assunto.

A história de Miriam e Tiago: quem ficou com o pet… ficou com tudo?

Miriam e Tiago viveram juntos por cinco anos. Durante a união, adotaram seis cachorros. Eram parte da família: dormiam dentro de casa, ganhavam brinquedos, tinham nome, vacina e muito carinho.

Quando o relacionamento terminou, ficou decidido — de forma informal — que os animais ficariam com Miriam. Ela amava os bichinhos e jamais cogitou deixá-los para trás. Só que, com o tempo, veio a sobrecarga: contas, filhos pequenos, rotina puxada e gastos veterinários cada vez maiores.

Miriam decidiu entrar na Justiça pedindo que Tiago arcasse com metade das despesas desde a separação — e também ajudasse com os custos futuros. Mas, ao final, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que quem ficou com o pet é quem deve arcar com os gastos.

O que a Justiça tem decidido nesses casos?

O STJ, que é o tribunal responsável por dar a última palavra em muitos casos no Brasil, decidiu que:

  • O pet, juridicamente, ainda é considerado um “bem”, como um carro ou um imóvel. Isso significa que quem fica com o animal, também fica com a responsabilidade de cuidar dele — inclusive financeiramente.
  • Se você e seu ex definiram — mesmo que de forma verbal — que o pet ficaria com você, não é possível obrigar o outro a pagar parte dos custos depois da separação.
  • Por outro lado, se o pet ainda for de ambos (por exemplo, se não ficou claro quem é o dono ou se ambos continuam participando dos cuidados), há a possibilidade de pedir a divisão das despesas. Mas, nesse caso, é preciso agir rápido: a Justiça só permite pedir esse reembolso por despesas dos últimos três anos.

Mas e o vínculo afetivo? E o amor pelo pet?

Essa é a parte mais delicada. Muitas vezes, o ex-companheiro não mantém mais nenhum vínculo com o animal — e também não demonstra interesse em participar dos cuidados. Nesses casos, por mais injusto que possa parecer emocionalmente, a Justiça entende que não há mais uma obrigação legal de contribuir.

Por isso, é tão importante se planejar e buscar apoio jurídico antes que a situação se complique. Um acordo bem feito no momento da separação pode evitar muito desgaste no futuro — inclusive no que diz respeito ao pet.

O que fazer para proteger você e o seu pet?

Se você está se separando ou já se separou e vive uma situação parecida, aqui vão algumas orientações práticas:

  1. Faça um acordo claro com o ex-companheiro: Se possível, formalize quem ficará com o pet e quem será responsável pelas despesas. Esse acordo pode constar no divórcio ou na dissolução da união estável.
  2. Organize os comprovantes: Se o pet ainda for de ambos e você está arcando sozinha com os custos, guarde notas fiscais, recibos e qualquer prova de que está pagando sozinha. Isso pode ser útil para um pedido de ressarcimento, se for o caso.
  3. Busque orientação especializada: Cada caso tem suas particularidades. Um advogado pode te orientar sobre o melhor caminho para proteger seus direitos — e o bem-estar do seu animal.

A separação é difícil. Cuidar de tudo sozinha não precisa ser.

Você já está lidando com a dor de um término, com decisões sobre filhos, casa, rotina e recomeços. Ter que arcar sozinha com as despesas de um pet — que também faz parte da família — pode ser mais um peso nesse momento delicado.

Mas você não precisa passar por isso sem informação. Entender seus direitos é o primeiro passo para tomar decisões mais seguras, evitar conflitos e garantir que tanto você quanto seu pet tenham o cuidado que merecem.

Quer continuar aprendendo sobre seus direitos após a separação?

Acompanhe nosso blog e entre em contato com nossa equipe para tirar dúvidas jurídicas de forma acolhedora e segura.

 

Ricardo Russeff

Advogado
Especialista em Processo Civil pela PUC Minas
ricardo@russeff.com.br


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