Perder um ente querido é um dos momentos mais delicados da vida. Além da dor da perda, surgem obrigações práticas que exigem decisões rápidas e, muitas vezes, complexas. Uma das dúvidas mais comuns é: como fazer a partilha dos bens deixados? Pelo inventário judicial ou extrajudicial? Essa escolha pode impactar diretamente o tempo, o custo e a tranquilidade de toda a família.
O que é o inventário e por que ele é tão importante?
O inventário é o processo legal que identifica e formaliza os bens, direitos e dívidas deixados por uma pessoa falecida, para que sejam partilhados entre os herdeiros.
Mais do que uma exigência legal, ele é um instrumento de organização e proteção patrimonial, que evita disputas, bloqueios judiciais e conflitos familiares. Um inventário bem conduzido preserva o patrimônio e os laços familiares.
Inventário Judicial: quando ele é obrigatório
O inventário judicial ocorre no âmbito do Poder Judiciário e é obrigatório em situações específicas, como:
- quando há menores de idade ou incapazes entre os herdeiros;
- quando existe discordância sobre a partilha dos bens;
- ou quando há necessidade de análise judicial de dívidas, testamentos ou bens complexos.
Embora seguro, é um processo mais demorado e formal. Audiências, perícias e a intervenção do Ministério Público tornam o trâmite mais lento, e, em alguns casos, ele pode se arrastar por anos.
Imagine, por exemplo, um grupo de herdeiros que discorda sobre o valor de um imóvel. Um perito precisa ser nomeado, o laudo é apresentado, o juiz decide, e o patrimônio permanece paralisado até a decisão final.
Inventário Extrajudicial: uma alternativa ágil e moderna
O inventário extrajudicial é realizado em cartório, com o acompanhamento obrigatório de um advogado. É uma opção mais rápida, prática e econômica, permitida quando:
- todos os herdeiros são maiores e capazes;
- há acordo total sobre a divisão dos bens;
- e não existe testamento válido.
reInstituído pela Resolução nº 35 do CNJ, o inventário extrajudicial modernizou o Direito das Sucessões ao permitir a conclusão do processo em semanas, evitando anos de espera na Justiça.
Imagine o caso de Maria e seus irmãos: todos estão de acordo e querem resolver o quanto antes. Com o inventário extrajudicial, tudo é resolvido em cartório, com a assinatura da escritura, recolhimento do ITCMD e registro dos bens. Simples, rápido e seguro.
Diferenças principais entre as modalidades
| Critério | Inventário Judicial | Inventário Extrajudicial |
|---|---|---|
| Tempo | Longo. Pode levar anos | Rápido. Semanas ou poucos meses |
| Custo | Custas e perícias mais elevadas | Menores custos e taxas cartorárias |
| Conflitos | Indicado quando há discordância | Só é possível com consenso |
| Menores/Incapazes | Obrigatório | Não permitido |
| Complexidade | Alta. Envolve juiz e audiências | Simples. Realizado em cartório |
Qual é a melhor opção para a sua família?
A escolha entre inventário judicial e extrajudicial depende das circunstâncias de cada família. Se há concordância entre os herdeiros e todos são capazes, o inventário extrajudicial é, sem dúvida, a opção mais vantajosa: rápido, seguro e com menos custos.
Por outro lado, se há menores, litígio ou dúvidas sobre bens e dívidas, o caminho judicial é o mais adequado, garantindo fiscalização e segurança jurídica.
Vale lembrar: o prazo para abertura do inventário é de 60 dias a contar do falecimento, e o atraso pode gerar multas e complicações fiscais.
Como agir na prática
- Converse com os herdeiros. O diálogo é o primeiro passo para um inventário extrajudicial.
- Reúna os documentos. Certidões, matrícula de imóveis, extratos e declarações são indispensáveis.
- Procure um advogado especializado em Sucessões. A assessoria técnica evita erros e acelera o processo.
- Defina a modalidade de inventário. Judicial ou extrajudicial, cada caso exige uma estratégia diferente.
- Não adie. Cada mês de atraso pode representar mais custos e desgaste emocional.
Conclusão: o conhecimento jurídico é o seu maior aliado
Escolher entre inventário judicial ou extrajudicial não é apenas uma questão burocrática, mas uma decisão que afeta diretamente o patrimônio e a harmonia da família.
Com o acompanhamento certo, é possível transformar um momento delicado em um processo leve, rápido e resolutivo.
A orientação de um advogado especializado em Direito das Sucessões garante previsibilidade, segurança e paz de espírito. Porque, no fim das contas, o que está em jogo não são apenas bens, mas a tranquilidade da sua família.
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